Foi num curto espaço de tempo que a última iniciativa de marketing da nVidia passou de desconhecida a ínfame: discretamente apresentado ao mundo na forma de um post no blog da empresa californiana, o GeForce Partners Program só precisou de ver passar uma semana para atrair a atenção da internet por motivos que certamente não foram os intencionados.

Segundo a nVidia, o novo esquema de parceria com os fabricantes de sistemas (desktop e portáteis) e AIC (Add In Card) pretenderia clarificar a oferta geral de produtos gráficos, alinhando as gaming brands de cada fabricante (HP Omen, Dell Alienware, ASUS ROG, MSI Gaming X, Gigabyte Aorus, etc) com as GeForce. Ou seja o consumidor iria poder assumir que tinha um GPU da equipa verde ao comprar qualquer um destes produtos.

Fontes anónimas dentro das marcas descreveram contudo outro cenário, em que a participação neste programa não só tinha um carácter exclusivo, como a escolha de não ser um GeForce Partner poderia afectar a disponibilidade e custo dos componentes (GPU+VRAM, vendidos há muitos anos em bundle pela nVidia e AMD), a atribuição de subsídios (MDF, ou Market Development Funds) e até mesmo o acesso a protótipos, o que afecta dramaticamente o timing de lançamento, devido ao necessário desenvolvimento das placas e sistemas de arrefecimento.

A questão chave seria a imposição do exclusivo GeForge nestes produtos destinados para jogadores, excluindo a a concorrente directa AMD tal como possivelmente retirando também de milhares de sistemas portáteis (e não só) aqueles clássicos autocolantes da Intel. Falando na equipa azul, alguns poderão lembrar-se de circunstâncias semelhantes há uma dúzia de anos… Sendo tudo isto verdade, é difícil compreender o porquê desta iniciativa, já que a AMD está a passar por uma fase muito pouco competitiva cujo eminente lançamento das GeForce Turing só irá acentuar.

Aos rumores de recentes inquéritos quanto aos termos deste programa comercial feitos pelas autoridades reguladoras de concorrência americanas e europeias, sempre interessadas em facturar chorudas multas a prevaricadores com 75% de cota de mercado, atrevo-me a juntar uma eventual chamada telefónica das equipas legais da AMD e Intel… Após uma boa quantidade de tinta na imprensa e a ASUS ter mesmo lançado a gama AREZ de forma a satisfazer a parceria, foi no final da semana passada que, novamente pelo blog, foi declarado o óbito do GPP. Paz à sua alma.

Leia as conclusões do veterano jornalista de tecnologia Fuad Abazovic aqui.

 

 

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