Apesar de ser usado há muitos anos pelos entusiastas mais destemidos, o uso de metal líquido em vez da comum massa térmica está novamente na moda, graças aos processadores Intel: desde os Core de 3a geração (Ivy Bridge) que o fabricante decidiu poupar uns trocos, usando pasta térmica comum em vez da habitual solda de índio entre o silício e o heat-spreader dos CPUs. Esta péssima escolha do ponto de vista técnico acarretou um desempenho térmico acentuadamente inferior (diferença de temperatura frequentemente superior a 10ºC), que limita desempenho (throttling) e potencial de overclocking.

Entra em cena a remoção do IHS (Integrated Heat Spreader) conhecida por delid: tira-se a tampa ao processador, limpa-se a massa térmica, aplica-se a “melhor possível” e volta-se a colar a tampa. Ou então não, arriscando alguns entusiastas o look old-school mantendo a descoberto o silício: esta técnica permite eliminar outro intermediário no transporte do calor, salvaguardando a diferença de altura e fragilidade do chip na instalação do cooler (alguém se lembra destes?).

A “melhor massa térmica possível” (para arrefecimento acima da temperatura ambiente) não é massa, é o metal líquido. Devido à condição de produto de nicho dentro de nicho, actualmente está no mercado graças a apenas duas marcas alemãs, a Coollaboratory e a Thermal Grizzly. Uma excelente e acessível pasta térmica como a Arctic MX-4 oferece, para além de 8 anos de vida útil, uma conductividade térmica de 8,5 W/mK, enquanto uma escolha de topo como a Thermal Grizzly Kryonaut oferece 12,5. O Conductonaut, líquido térmico da mesma marca, garante uns incríveis 73 W/mK, e essa diferença nota-se quanto mais difícil é a situação.

A baixa viscosidade estes compostos de índio e/ou gálio permite um melhor contacto entre as duas superfícies, juntamente com as vantagens térmicas destes materiais. Sem necessidade de cura e com uma durabilidade basicamente ilimitada, pode parecer à 1a vista que para além do custo mais elevado e o fraco desempenho no arrefecimento sub-zero (por azoto líquido ou evaporador), são só vantagens. Quase verdade!

Tal como alguns entusiastas descobriram da pior forma com as primeiras pastas térmicas da Arctic Silver, assim chamadas devido à presença de micro-partículas de prata (spoiler: um excepcional condutor de electricidade), uma gota destes materiais no sítio errado pode ter consequências desastrosas. Hoje os líquidos térmicos são acompanhados de boas instruções e acessórios de aplicação, tal como a quantidade a aplicar por superfície (é necessário ter uma fina camada no chip e na base do cooler) é muito reduzida. Contudo uma gota fora do sítio vai acabar certamente em lágrimas.

Para além do óbvio respeito às instruções que acompanham o produto, é importante:

  • Antes sequer de comprar o metal líquido, confirmar que não há nenhuma superfície de alumínio na sua área de aplicação. Estes compostos corroem esse corriqueiro metal.
  • Para começar, a limpeza é mais importante quando se aplica o líquido em vez da pasta, por isso não compensa atalhar. Seja com álcool etílico do supermercado ou o primo IPA (Iso-Propyl Alcohol), não se deve parar enquanto o pano/cotonete/toalha de papel trouxer resíduos visíveis da pasta térmica anterior.
  • Em seguida, convém ter uma mão muito delicada ao apertar a seringa do líquido térmico, para não se acabar limpando muito mais do que se queria… Uma gotícula de  líquido condutor de electricidade dentro de um socket de CPU ou de um slot PCIE pode ser o fim de uma motherboard, e não há necessidade disso!
  • A forma mais simples e segura de aplicar estes produtos é a familiar e doméstica cotonete de algodão. Uma pequena gota no centro do chip espalha-se até se obter uma cobertura fina e uniforme de toda a superfície, sem acumulações e partículas contaminantes, como pó ou fibras de algodão.
  • Se estivermos a trabalhar com um chip descoberto (como num CPU delided, num portátil, um GPU, etc), existem componentes eléctricos à sua volta que requerem precauções. Assegurando que a quantidade de líquido usada no chip não é maior que a necessária, podemos isolar a área circundante com verniz transparente para as unhas, à venda por toda a parte.

Por fim, é crucial lembrar que um delid (obviamente!) ou uma desmontagem e substituição de interface térmica numa placa gráfica invalidam a garantia destes produtos. Das nossas marcas, apenas a eVGA , histórico fabricante de placas GeForce entusiastas, permite estas intervenções sem afectar essa preciosa salvaguarda.

Se a placa gráfica está já fora da garantia, só falta mesmo é a vontade: os ganhos podem ser muito substanciais em longevidade, desempenho, ruído, etc. Uma seringa de metal líquido para o GPU e uma embalagem de thermal pads para as VRAM e VRM

Para os interessados com 10 minutos livres deixo aqui um excelente exemplo daquilo que este upgrade pode oferecer!

 

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