Vamos falar de bombas! Desde o início dessa aparentemente absurda actividade que é arrefecer computadores de secretária com água a passar por mangueiras e caixas de cobre por cima dos componentes quentes, que a tarefa de manter essa água em movimento pela canalização foi colocada a cargo de bombas eléctricas adaptadas de outras funções.

No início do watercooling tivemos as Enheim, recicladas de aquários abandonados e precisando de artimanhas para arrancarem ao mesmo tempo do PC (já que funcionavam com 220V alternos directamente da tomada). Com o advento do Apple Power Mac Dual em 2004, veio o primeiro sistema informático de consumo com arrefecimento líquido de origem, com todos os problemas que esse tipo de iniciativa auspicia… Contudo dessa aventura veio a Laing DDC, uma das soluções favoritas do entusiasta do watercooling, e mais soluções têm-se juntado à oferta neste nicho de mercado.

Aqua Computer Aquastream

Dessas clássicas soluções podemos falar da oferta da Aqua Computer com as suas Aquastream, espectaculares frankensteins de desenvolvimento contínuo em cima da sólida e venerada Eheim 1046 (a minha primeira bomba de watercooling, já a 12V que eu sou muito fino…). Aproveitando a sólida base mecânica destas fiáveis e silenciosas bombas de aquário junta-se telemetria, uma miríade de opções de controlo e integração e a flexibilidade do software da marca. Nenhuma “mera” bomba de água chega perto das Aquastream em termos de extras, e apesar de não oferecer um fluxo astronómico como alguma concorrência, a sua pressão é mais que suficiente para empurrar água através dos vários elementos restritivos dum loop realista.

Na presente versão Ultimate da Aquastream temos até um elemento frequentemente ignorado e crucial para a saúde de um computador arrefecido a água… Já pensou no que acontece se a bomba, projectada e instalada de forma a minimizar ao máximo o seu ruído, sofre uma (inevitável?) falha catastrófica e deixa de funcionar? A ausência de circulação da água vai mesmo trazer resultados horríveis, tanto mais rapidamente quanto maior a carga térmica. Água a ferver dentro de um circuito fechado? Daí o brilhantismo e simplicidade da solução da Aqua Computer: a integração de um alarme sonoro na bomba. Fossem todas assim…

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Há contudo quem não se prenda com tais preocupações, e também com custos tão elevados. Os fabricantes asiáticos, ainda que timidamente, não permaneceram parados perante a hegemonia europeia da comercialização destes componentes. Bem vindos!

Raijintek RAI-PM5

No extremo mais económico do espetro temos a RAI-PM5 da Raijintek, uma bomba muito capaz e ideal para um loop custom inicial. Sólida performance e um nível de ruído facilmente controlável pelo controlador manual integrado, aceita sem necessidade de adaptadores adicionais qualquer reservatório com porta de rosca standard G ¼ de polegada e as suas compactas dimensões facilitam a integração dentro da caixa. Fácil e eficaz.

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Enermax Neochanger

O passo seguinte, também asiático, vem da Enermax, com o seu Neochanger. Disponível em 3 capacidades de reservatório, é uma unidade integrada com bomba e reservatório não removível. Esta é uma tendência bem vinda, já que o único verdadeiro objectivo de um reservatório no circuito de arrefecimento líquido é garantir a presença de pressão positiva de líquido na porta de entrada da bomba. Pois é verdade: a maioria das bombas utilizadas em watercooling não “puxa”, apenas “empurra”. E para além disso a ausência de líquido na bomba frequentemente significa a sua morte antecipada, já que o seu arrefecimento e lubrificação é garantido pela presença do líquido.

Nada disso é uma preocupação com a Neochanger, que traz ainda mais uns trunfos na manga. Um comando à distância por infravermelhos oferece controlo sobre velocidade do motor e o anel de LED RGB na base do reservatório, apesar deste também poder ser ligado a qualquer motherboard com suporte RGB. Incluído com o Neochanger temos as peças necessárias para instalação vertical ou horizontal, algo que não é muito comum com outros fabricantes… Um produto muito interessante e com um desempenho que não fica atrás do brilho das luzes: contudo a fiabilidade a longo prazo da bomba é um mistério, algo que não se passa com as bombas que vou referir de seguida.

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EKWB

Da Laing surgiram há muitos anos as ubíquas D5 e DDC, e estão para ficar. Um observador desapaixonado e objetivo facilmente repara que são brutalmente sobredimensionadas para a tarefa de movimentar líquido morno por uns poucos metros de tubo e radiador, mas o watercooling não é campo para essas considerações… Tudo o que é necessário saber sobre estes dois clássicos é que a D5 oferece maior fluxo e a DDC maior pressão, esta última com um timbre de ruído mais distinto, difícil de ignorar e de eliminar completamente: não é defeito, é feitio. A D5 é frequentemente mais silenciosa porque… Não nos atrevemos a colocá-la perto do máximo!

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Ao longo dos anos muita marca de referência em watercooling tem oferecido variações destas duas bombas, às vezes apenas na forma de um autocolante… Ambas oferecem desempenho de referência com um preço, claro está: o seu elevado consumo eléctrico. Está fora de questão alimentar estas bombas através dos conectores da motherboard (talvez um dia?), e no caso da DDC é muito importante salvaguardar a fiabilidade do motor com ventilação assertiva ou mesmo uma armadura dissipadora, como a EK oferece.

Tão universais são estas bombas que podemos encontrar inúmeras combinações de bomba+reservatório, versões do motor com controlo manual da velocidade máxima (como as D5 Vario) ou também controlo PWM, “cabeças” para a bomba com diferentes opções de conector e geometrias internas que amplificam a performance sem modificação mecânica, e até com opção de montagem de duas bombas em série. Sim, é possível fazer RAID ao sistema de arrefecimento: não só se aumenta a performance como fica também o computador mais protegido contra a falha de uma bomba.

Por fim não quero deixar de sublinhar a minha surpresa e satisfação com a mais pequenina de todas as bombas do nosso portfólio, a adorável SPC-60 PWM da EK. É mesmo muito compacta, menor que a maioria das cabeças para D5. O desempenho é suficiente para um loop simples (gráfica incluída), o ruído de funcionamento muito fácil de tolerar e o seu frugal consumo e aquecimento permitem a alimentação e controlo integrados através do conector PWM da motherboard. Um mimo de bomba para iniciar a aventura do watercooling, com um preço a combinar!

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