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A crise dos semicondutores: quando é que os stocks vão voltar ao normal?

Globaldata Staff11. maio, 2021 - 4 min read

Há cerca de dois meses, explicámos o porquê do aumento do preço das placas gráficas e da falta de stock. Como foi previsto na altura, a escassez de semicondutores continua e a situação mantém-se complicada para quem quer fazer um upgrade ao computador… e não só.

Close-up de semicondutor

Mas, quase a meio de 2021, a vida não continua fácil para os gamers. Será que há um fim à vista para esta escassez? Quais as razões e o que mais está a ser afetado? Explicamos-te tudo. 

Problemas de produção… ainda

Talvez não seja novidade, mas a falta de stock de semicondutores começa logo no início da cadeia de produção.

Muito resumidamente, o que aconteceu (e cujos impactos ainda se sentem nos dias de hoje) foi mais ou menos isto: a pandemia levou a que os fabricantes cancelassem as suas encomendas de semicondutores e as fábricas de chips reduziram a produção. Por sua vez, a população confinada começou a comprar mais tecnologia (para entretenimento e para trabalhar a partir de casa) e os fabricantes voltaram a encomendar mais semicondutores.

O problema foi que, uma vez que as linhas de produção tinham sido reduzidas, as poucas fábricas de semicondutores não foram (e ainda não são) capazes de preencher todas as encomendas.

Close-up de semicondutor

Uma das razões para esta incapacidade de preencher as encomendas é o efeito chicote — ao longo de uma cadeia de produção, existe uma distorção da perceção da procura. Visto que é impossível prever a procura futura, os fabricantes acabam por encomendar mais materiais do que os imediatamente necessários, e este efeito repercute-se ao longo de toda a cadeia. Rapidamente, as encomendas de matérias-primas tornam-se muito maiores do que a quantidade verdadeiramente necessária, levando à impossibilidade de produzir as quantidades pretendidas.

Falta de semicondutores para placas gráficas e não só

Ainda que os gamers sejam maioritariamente afetados pela falta de stock de placas gráficas, a falta de semicondutores afeta muitos mais do que aqueles que esperam pelo stock das Nvidia RTX 30 ou das AMD RX 6000.

A Samsung anunciou que existe uma possibilidade de saltar o lançamento do Galaxy Note 21, devido à falta de chips. Para além disso, a falta de silício também está a afetar a produção de televisores da gigante sul-coreana e da LG.

A Samsung pode não vir a lançar o Note 21 devido à falta de semicondutores. O Galaxy S21 Ultra é o flagship mais recente da marca sul-coreana.
A Samsung pode não vir a lançar o Galaxy Note 21 devido à falta de semicondutores. O Galaxy S21 Ultra é o flagship mais recente.

Mas não são só os produtos high-tech que são afetados pelas quebras de stock de semicondutores. Hoje em dia, até a maior parte dos eletrodomésticos necessita de processadores para funções relativamente básicas, como permitir a uma máquina de lavar detetar o peso da roupa no interior. Produtos simples, como escovas de dentes elétricas e torradeiras inteligentes, também foram afetados pela falta de semicondutores, o que levou ao aumento dos preços ou à indisponibilidade de certos modelos.

Os problemas da indústria automóvel

Um dos principais setores afetados pela falta de semicondutores é o setor automóvel. O motivo dos problemas é o mesmo que dos outros setores: os fabricantes de automóveis cancelaram as encomendas por causa da pandemia e depois quando as quiseram retomar já havia demasiados pedidos em fila de espera.

Enquanto que a Apple gasta anualmente 58 mil milhões de dólares em semicondutores, a indústria automóvel, no seu todo, gasta apenas 36 mil milhões. É fácil perceber o porquê de as fábricas de semicondutores priorizarem os componentes para a Apple e não para empresas como a Toyota ou a Volkswagen, que, sendo das empresas automóveis que mais dinheiro gastam em semicondutores, gastam pouco mais de 4 mil milhões de dólares anualmente.

A Peugeot foi forçada a substituir os velocímetros digitais por analógicos devido à falta de semicondutores
A Peugeot foi forçada a alterar o velocímetro digital por analógicos nos 308 devido à escassez de semicondutores.

A falta de semicondutores no setor automóvel levou ao encerramento de fábricas, lay-offs e à diminuição da produção de automóveis. Além disso, a indústria automóvel teve de recorrer a soluções engenhosas para colmatar a falta de semicondutores — a Peugeot, por exemplo, substituiu o velocímetro digital no novo 308 por velocímetros clássicos de ponteiro; a Nissan retirou os GPS de carros que normalmente viriam com o sistema de navegação.

Soluções para o futuro

Na melhor das hipóteses, espera-se que a crise dos semicondutores continue até finais de 2021. No entanto, já estão a ser tomadas medidas para que isto não volte a acontecer no futuro.

A Comissão Europeia afirmou querer expandir as capacidades de produção de semicondutores europeias e está a preparar um investimento que pode chegar até aos 30 mil milhões de euros. A Intel ofereceu ajuda, mas, ao que tudo indica, quer um financiamento de 8 mil milhões de euros em troca.

A Comissão Europeia quer investir em fábricas de semicondutores.
A Comissão Europeia está a planear investir no fabrico de semicondutores.

Os Estados Unidos também querem aumentar as capacidades de produção. A Intel anunciou recentemente que planeia gastar 20 mil milhões de dólares em duas fábricas de semicondutores novas. O presidente norte-americano, Joe Biden, afirma que o investimento no fabrico de microprocessadores é uma prioridade. 

Contudo, as novas fábricas de semicondutores podem demorar até dois anos a estarem operacionais. Nessa altura espera-se que a falta de semicondutores já não seja um problema, o que pode levar a uma sobreabundância de chips. Talvez aí vejamos preços mais baratos para os nossos equipamentos…

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